Metrônomos

Foram muitas décadas
Para aperfeiçoar esse perfume
De níquel e fusível queimado
Necessário muito empenho para olhos de cobre
Todos que conheço assumem
A despedida em fogo
Desabrigam o exagero
Quando sou seu amante
Vinte e seis voltas no relógio
E continuo te prometendo
A defesa de teu nome mundano
Sem nenhum requisito ou clamor
Venha até mim esta virtude mansa
Meus dentes são metrônomos
Medindo o ritmo de cada vez
Que ouso desperdiçar saliva
Estremeça um Ulisses forte
Discuta teus personagens disfuncionais
Nas omissões que o espelho recrimina
Nas fugas que cavastes em outros corpos
Bato os dentes outra vez
Como quem toca um tango
Balanço as pernas para você
Como se quisesse um samba
Narro outro covil sendo descoberto
Não há mais para onde escapar
Confrontar é preciso e então saberá
Conviver com todas as vaidades desmascaradas
Choro escondido como se fosse um pai
Lambo as feridas com gosto de cloro
Digo que perdoo, mas já sou vencido
Sempre desejei ir para longe de mim

